Saudações com cotovelos e pés: a nova etiqueta do coronavírus



O coronavírus está mudando a interação social, especialmente no mundo ocidental. Apertos de mão, beijos, abraços - saudações cotidianas arraigadas em nossa cultura - não são tão bem-vindos quanto costumavam ser.

Na Itália, Angelo Borrelli, comissário especial do país para o coronavírus, sugeriu que a natureza demonstrativa dos italianos poderia estar contribuindo para a disseminação do vírus, instando os cidadãos a serem "um pouco menos expansivos".

Da mesma forma, na França, o ministro da Saúde, Olivier Véran, aconselhou as pessoas a reduzirem abraços e beijos, embora o presidente francês Emmanuel Macron tenha sido visto cumprimentando com beijo, duas vezes, o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, e mais duas vezes durante uma cúpula em Nápoles.

"A ciência diz que apertar as mãos é nojento", disse Nicky Milner, diretora de Educação Médica da Universidade Anglia Ruskin (Reino Unido) ao jornal The Guardian. Ela citou pesquisas que mostram, em média, 3.200 bactérias de 150 espécies diferentes em nossas mãos. "Apertaremos as mãos em torno de 15 mil vezes em nossa vida", disse Milner.

Um aperto de mão transfere o dobro da quantidade de bactérias em comparação com outras formas de saudação, como tocar os punhos fechados de forma rápida. “Se você está apertando as mãos, tende a juntar as palmas das mãos e envolver os dedos. Considerando que, quando você minimiza o contato entre a pele, uma pequena área de superfície na qual existem microrganismos; portanto, transfere menos. É tudo probabilidade”, explica a diretora. “No Japão e na Tailândia, as saudações são feitas com as palmas das mãos pressionadas como se fossem orações; essa maneira é mais saudável. Já no Reino Unido, o aperto de mão é formal. É profissional. É usado em reuniões e saudações. Fecha negócios. É um hábito poderoso para nós. Não se trata apenas de dizer olá. Então, isso nos leva de volta à boa higiene das mãos”, complementa Milner.

“No Reino Unido, o aperto de mão é formal. É profissional. É usado em reuniões e saudações. Fecha os negócios. É um procedimento tão poderoso que realizamos. Não se trata apenas de dizer olá. Então, isso nos leva de volta à boa higiene das mãos.”

O Dr. Adam Kucharski, professor associado da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, pesquisa como o comportamento social e a imunidade moldam a transmissão de doenças. Ao reduzir apertos de mãos e beijos, ele disse: “Obviamente, todas essas coisas podem reduzir a transmissão, mas não há uma solução rápida.

Se isso se tornar um surto, não será somente uma questão de as pessoas fazerem uma pequena alteração de comportamento. Serão necessárias várias mudanças em vários aspectos do comportamento de todos. Conscientizar e modificar a interação com grupos vulneráveis, como os idosos, deveria ser crucial”. disse ele.

A consultora de etiqueta social Jo Bryant acredita que o Reino Unido pode ter uma pequena vantagem sobre outras nações europeias, “porque somos uma nação não tátil e gostamos do nosso espaço pessoal”. Ela comenta que “este é um novo território para a etiqueta”, aconselhando as pessoas a recuarem um pouco antes de aceitarem o grande aperto de mão.


Fonte: Jornal The Guardian

Foto: Gustavo Fring de Pexels

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