R$ 3 bilhões já foram doados para combate ao coronavírus no Brasil

Total de doadores ultrapassa 100 mil empresas, fundações e indivíduos.


A filantropia no Brasil atingiu um novo patamar com a pandemia de coronavírus. As doações para iniciativas de combate à covid-19 alcançaram 3,18 bilhões de reais, segundo monitoramento da Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR).

Em pouco mais de um mês, as entidades filantrópicas praticamente arrecadaram o mesmo valor registrado em todo o ano de 2018, quando a filantropia movimentou 3,25 bilhões no Brasil, de acordo com censo bianual realizado pelo Grupo de Institutos Fundações e Empresas (Gife), entidade que reúne 150 grandes doadores. O valor já é maior do que a média dos últimos cinco anos, que foi de 2,8 bilhões de reais, segundo relatório da Comunitas, organização social especializada em parcerias público-privadas.

O papel da filantropia

Com a pandemia, a filantropia entra em uma nova etapa no Brasil. A cultura da doação, embora disseminada entre a população, que costuma contribuir com pequenos valores, nunca esteve enraizada na elite. Em média, o País destina 0,2% do PIB para ações filantrópicas, de acordo com o relatório Giving Report, produzido pela Charities Aid Foundation, entidade britânica de apoio à filantropia, e pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social. No Reino Unido, esse valor gira em torno 0,5% e, nos Estados Unidos, 1,4%.

Essa nova fase da filantropia não se limita aos valores doados. “Buscamos investimentos que sejam estruturantes”, afirma Claudia Politanski, vice-presidente do Itaú Unibanco. O objetivo é que as ações para o combate ao novo coronavírus deixem um legado para o País, especialmente em relação ao Sistema Único de Saúde (SUS). A filantropia, diz ela, tem um papel importante no desenvolvimento econômico dos países, ao ocupar espaços em que o governo não consegue atuar, seja por incapacidade ou desconhecimento. “A filantropia não compete com o setor público, ela complementa”, afirma.

Na crise do novo coronavírus, a importância dessa complementaridade ficou evidente, por exemplo, nas favelas. O terceiro setor foi mais rápido que o governo em ajudar esses territórios. Somente a Central Única das Favelas (Cufa), organização não governamental que atua em mais de 400 municípios, distribuiu 7 mil toneladas de produtos doados, entre alimentos e material de higiene e limpeza, que beneficiaram 583 mil famílias.

A Central Única das Favelas também criou um programa de transferência direta de renda, o Mães da Favela. O projeto oferece uma bolsa de 120 reais, por dois meses, a 50 mil famílias. O pagamento é feito eletronicamente, por meio de parcerias com as empresas de pagamento.


Fonte: Revista Exame

Foto: Noipornpan de Getty Images Pro

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