O futuro dos escritórios e dos centros urbanos pós-pandemia


Uma das poucas vantagens decorrentes da atual crise mundial da saúde é a redução drástica de emissões de gases nocivos ao meio ambiente, que vem ocorrendo porque milhões de pessoas foram forçadas a trabalhar em casa ao invés de se deslocarem para o local de trabalho no centro da cidade. Isso gerou não apenas um benefício ambiental significativo, mas também benefícios sociais para muitas pessoas que relatam ter agora um melhor equilíbrio entre vida pessoal e trabalho, pois conseguem passar mais tempo com seus familiares, assim como se exercitar mais e gastar menos tempo no trânsito. Com isso, vemos que dois dos pilares da sustentabilidade urbana estão sendo apoiados, mas, infelizmente, a um custo econômico terrível.

A questão que colocamos aqui é se um modelo pode ser previsto para o futuro, em um mundo pós-pandemia, no qual os benefícios ambientais e sociais descritos acima sejam mantidos, mas que a sustentabilidade econômica também se torne uma possibilidade. Estamos considerando isso puramente no contexto do mercado de escritórios urbanos, em vez de quaisquer outros setores do mercado ou economia imobiliária.

Evidências atuais emergentes da Covid-19 Foi amplamente divulgado que o Twitter, o Facebook e o Google pretendem permitir que todos os seus funcionários trabalhem em casa até o final de 2020. O escritório de advocacia Slater Gordon anunciou que pretende encerrar o escritório de Londres em setembro de 2020 e que o trabalho remoto se tornará a norma para todos os seus dois mil funcionários. A grande corretora de imóveis do Reino Unido, LSH, fez uma pesquisa interna e concluiu que 88% dos trabalhadores de escritório acreditam que poderiam trabalhar pelo menos dois dias por semana em casa sem afetar o trabalho e o bem-estar mental.

No entanto, nada disso significa que o escritório está fadado ao fim. A interação física ainda é um catalisador essencial para a inovação, o que exige que as pessoas estejam juntas e trabalhem em equipe. A colaboração também é importante para a solução de problemas e o desenvolvimento da cultura corporativa. Além disso, enquanto os trabalhadores mais velhos têm condições de adotar o trabalho em casa, porque não precisam de supervisão e porque já possuem redes profissionais, os funcionários mais jovens precisam aprender com os colegas e almejar o trabalho e as relações sociais que só os escritórios proporcionam.

Conclusão

Ao analisarmos todas essas questões expostas acima, chegamos à conclusão de que a demanda geral por espaço para escritório talvez não mude significativamente, mas provavelmente haverá um impacto no design e na localização do local de trabalho. Os escritórios não serão mais apenas lugares para trabalhar todos os dias, mas se tornarão espaços colaborativos/criativos, talvez visitados duas vezes por semana. Como consequência, as empresas poderão optar por ter mais escritórios locais, suburbanos e menores, mais perto de onde as pessoas moram, a fim de reduzir o deslocamento diário. Isso, por sua vez, impactará a configuração urbana, reduzindo a importância do centro da cidade e, possivelmente, redefinindo a prioridade dos bairros.

Outro benefício social que poderá surgir é o aumento da tendência por locais de trabalho mais inclusivos, com uma cultura de trabalho que ajude a combater o presenteísmo, aumentando a produtividade.

Fonte: Centro de Medicina Baseada em Evidências (CEBM) - Universidade de Oxford

Foto: Fauxels de Pexels

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