Movimento Não Demita: 3,3 mil empresas aderem



O movimento Não Demita, que estimula esforços dos empresários para manter empregos, recebeu apoio e assinaturas de milhares pequenas e grandes empresas no Brasil.

Daniel Castanho, presidente do conselho de administração da Ânima Educação e um dos criadores do movimento, atribui o sucesso nas adesões a um despertar de responsabilidade da classe empresarial, em meio aos efeitos da crise do coronavírus na sociedade. “Tenho recebido depoimentos de donos de pequenas empresas dizendo que agora caiu a ficha do que significa ser empresário”, diz.

O Não Demita começou como um manifesto ganhou corpo para se transformar num movimento que pode ser responsável pela manutenção temporária de 1,5 milhão de empregos.

Entre as idealizadoras da iniciativa há grandes empresas como Santander, Magazine Luiza, Microsoft, Natura, Vivo, JBS, Porto Seguro, entre outras. “Desde as primeiras ligações que eu fiz para CEOs de empresa, todos foram unânimes e disseram que não iam demitir”.

Mas, as empresas podem reduzir o salário e a jornada, como permite a MP 936?

Daniel Castanho: Não dá para todo mundo fazer o isolamento. Os hospitais precisam funcionar, precisa haver manutenção da cadeia produtiva, tem a questão do lixo. Tem várias coisas que fazem com que o isolamento possível seja de 70%. Com as empresas é a mesma relação. Tem empresa que não consegue não demitir. Ou fecha ou demite 10 funcionários e preserva os outros. A ideia é contribuir para que a sociedade volte mais rápido. É fazer o que é possível. Se precisar diminuir a jornada, está bom. O manifesto é assinado, mas não tem uma questão jurídica, não acontece nada. O que tem são as redes sociais, tem Instagram, LinkedIn, Twitter. Se uma empresa não cumprir, o funcionário vai falar. É uma relação de honestidade, integridade e empatia.

Você esperava essa adesão ao movimento?

Daniel Castanho: A gente está passando por um momento em que eu acredito que a gente vai despertar, entender que a gente faz parte de um mesmo ecossistema e entender a nossa responsabilidade dentro da sociedade. Desde as primeiras ligações que eu fiz para CEOs de empresa, todos foram unânimes e disseram que não iam demitir. Algumas empresas puderam assinar e outras empresas, não, porque dependem de conselho de administração, entre outros fatores. Mas mesmo assim assumiram responsabilidade de não demitir, o que para mim revela esse despertar da responsabilidade de todo mundo.

Esse despertar significa que está surgindo um novo tipo de liderança? Como você acha que o tema de gestão vai ser tratado nas escolas depois dessa crise?

Daniel Castanho: O perfil de comando e controle acaba agora. Existia um certo preconceito em relação ao trabalho remoto. Inclusive muitos líderes se vangloriavam de ser o primeiro a chegar e o último a sair pela questão de dar o exemplo. Acho isso válido, mas não necessariamente na questão física. O conceito de espaço e tempo vai mudar completamente. Todas as empresas terão que redefinir valores como, por exemplo, empoderamento, autonomia. O desafio é como a gente vai redefinir a accountability (senso de responsabilidade, na tradução livre)

Qual o papel do líder nesse processo?

Daniel Castanho: Faço uma analogia com os mestres orientais. O mestre é aquele que ilumina, que traz serenidade, clareza, discernimento, que ajuda a fazer escolhas e que tem empatia. Os líderes serão os mestres. O papel do líder é esse, ele tem a visão do todo, traz a serenidade, mas ao mesmo tempo provoca todo mundo, inspira. Esquece aquele líder que coloca as metas e dá bolo para quem bateu a meta. O trabalho tem que ter significado.

Que tipo de depoimentos de empresários você tem recebido?

Daniel Castanho: Temos adesão de grandes e de pequenas empresas. Recebi depoimentos de empresas pequenas dizendo que agora que tinha caído a ficha do que significa ser empresário, de pessoas que estão tirando do próprio bolso para manter empregos.


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Fonte: Revista VocêSA

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