Medicamento dexametasona pode salvar vidas de pacientes com coronavírus em estado grave



Um medicamento barato e amplamente disponível pode ajudar a salvar a vida de pacientes com coronavírus em situação mais grave.

O tratamento com baixas doses do esteroide dexametasona demonstra ser um grande avanço na luta contra o vírus mortal, dizem especialistas do Reino Unido.

O medicamento foi analisado pela The Recovery Trial, uma iniciativa global que aplica um rigoroso protocolo de pesquisa para testar tratamentos já existentes e verificar se eles também podem funcionar para o coronavírus.

O medicamento reduziu o risco de morte em um terço dos pacientes em ventiladores. Para quem usa oxigênio, reduziu as mortes em um quinto.

Se o medicamento tivesse sido usado para tratar pacientes no Reino Unido desde o início da pandemia, até 5 mil vidas poderiam ter sido salvas, dizem os pesquisadores. E poderia ser de grande benefício nos países mais pobres, com um grande número de pacientes da Covid-19.

O governo do Reino Unido tem um grande estoque do medicamento e vai disponibiliza-lo aos pacientes mais graves.

Segundo o primeiro-ministro, Boris Johnson, é possível celebrar "uma notável conquista científica britânica", acrescentando: "Tomamos medidas para garantir que tenhamos suprimentos suficientes, mesmo no caso de um segundo pico".

O diretor-médico da Inglaterra, Chris Whitty, disse que este medicamento poderia salvar vidas em todo o mundo.

Cerca de 19 dos 20 pacientes com coronavírus se recuperam sem ser admitidos no hospital. Dos que são admitidos, a maioria também se recupera, mas alguns podem precisar de oxigênio ou ventilação mecânica. E são estes últimos, pacientes de alto risco, que a dexametasona parece ajudar.

O medicamento já é usado há tempos para reduzir a inflamação em várias outras doenças, incluindo artrite, asma e algumas condições da pele. E parece ajudar a reduzir alguns dos danos que podem acontecer quando o sistema imunológico do corpo entra em ação enquanto tenta combater o coronavírus. Essa reação exagerada, chamada tempestade de citocinas, pode ser mortal.

Em uma pesquisa realizada pela Universidade de Oxford, cerca de 2 mil pacientes hospitalizados receberam dexametasona e foram comparados com mais de 4 mil que não receberam. Para pacientes em tratamento com ventiladores, o uso do medicamento reduziu o risco de morte de 40% para 28%. Para pacientes que precisavam do suporte de oxigênio, reduziu de 25% para 20%

Para o pesquisador chefe, Peter Horby, “este é o único medicamento até agora demonstrado que reduz a mortalidade e reduz significativamente. É um grande avanço”. Ele explica que “o tratamento com dexametasona é de até 10 dias e custa cerca de 5 euros por paciente. Este é um medicamento que está disponível globalmente”

Quando apropriado, os pacientes hospitalares devem receber o medicamento imediatamente, disse o professor Landray. (explicar quem é este professor, pois o leitor não sabe quem é ele; não foi citado anteriormente) Mas as pessoas que estão em casa não devem se automedicar, usando-o sem prescrição médica. A dexametasona não ajuda as pessoas com sintomas mais leves do coronavírus, que não precisam de respiração mecânica.

A pesquisa também analisou a droga hidroxicloroquina, que foi posteriormente descartada em meio a preocupações de que aumenta mortes e problemas cardíacos. Já o antiviral remdesivir, entretanto, pareceu diminuir o tempo de recuperação de pessoas com coronavírus.

A dexametasona, primeiro medicamento comprovado para reduzir as mortes por Covid-19, não é um medicamento novo e caro, mas um esteroide conhecido e barato. Ela é usada desde o início dos anos 1960 para tratar diversas doenças, como artrite reumatoide e asma. Isso é algo para comemorar, porque significa que pacientes em todo o mundo podem se beneficiar imediatamente. E é por isso que os resultados principais deste estudo foram antecipados – porque as implicações são enormes em todo o mundo.

Em terapia intensiva, tal medicamento é administrado por via intravenosa; para pacientes menos graves, são administrados comprimidos. E, se metade de todos os pacientes da Covid que precisam de ventilador não sobrevive, reduzir esse risco em um terço teria um enorme impacto.

Como já citado, até agora, o único outro medicamento comprovadamente beneficiado para pacientes com Covid-19 era o remdesivir, usado para o tratamento do Ebola. Ele demonstrou reduzir a duração dos sintomas do coronavírus de 15 dias para 11. Mas a evidência não era forte o suficiente para mostrar se reduziu a mortalidade. Ao contrário da dexametasona, o remdesivir é um medicamento novo, com suprimentos limitados, e seu preço ainda não foi anunciado.

Fonte: BBC News

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