Clima frio e seco pode afetar a transmissão do novo coronavírus


Em março deste ano, o Centro de Medicina Baseada em Evidências (CEBM), da Universidade de Oxford (Inglaterra), publicou um estudo com uma visão geral de como as condições climáticas podem afetar a transmissão do novo coronavírus. Tal estudo concluiu que as condições climáticas podem influenciar na transmissão, mas as evidências da pesquisa não eram muito concretas e não haviam sido revisadas. Agora, o CEBM atualizou o estudo, avaliando 14 pesquisas que atendiam ao protocolo da instituição.

Como anteriormente, os estudos revisados pelo CEBM não apresentam evidências suficientemente consistentes para permitir inferir a causa, mas, de qualquer forma, eles apresentam descobertas importantes.

As descobertas deste estudo são semelhantes às evidências da MERS-CoV-2, de que um ambiente frio e seco favorece a sobrevivência e a incubação do vírus. Observou-se que os coronavírus são sazonalmente ativos, com picos nos meses de inverno.

Foram desenvolvidos mecanismos para explicar o impacto dos efeitos meteorológicos na transmissão do novo coronavírus. Isso inclui a sobrevivência do vírus a temperaturas variadas na água e no ar. Em relação aos efeitos no indivíduo, foi levantada a hipótese de que uma combinação de baixa temperatura e umidade torne a mucosa nasal propensa a pequenas rupturas, criando uma oportunidade para os coronavírus invadirem o tecido.

Conclusões

É provável que a associação entre fatores climáticos e a transmissão do novo coronavírus seja, ao menos em parte, real e importante. A variedade de abordagens dos estudos converge para resultados razoavelmente consistentes e similares.

No momento da redação desta atualização, muitas regiões do mundo estavam sob severas restrições de distanciamento social para diminuir a transmissão. Também notamos que algumas regiões europeias estão atualmente flexibilizando o bloqueio e apresentando uma transmissão relativamente baixa durante a temporada de verão.

Se a transmissão do novo coronavírus for realmente afetada pelas condições climáticas e pela sazonalidade, isso traz um certo otimismo em relação a períodos de baixa transmissão, durante os quais medidas de saúde pública podem efetivamente atenuar os surtos da doença. Da mesma forma, representa um alerta para o aumento da transmissão durante o inverno.

Fonte: CEBM da Universidade de Oxford

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